03. Tirando o Punhal da Garganta
TIRANDO O PUNHAL DA GARGANTA
Ter um punhal na garganta
É se perder de si mesmo
É caminhar torto e teso
Cego à semente que planta.
-
É lançar na terra joio
E querer que cresça trigo
É desviar curso de arroio
Ser de si mesmo inimigo.
-
É acusar a própria mão
De atacar quem lhe comanda
Ou dizer que é o chão
Que derruba quem nele anda.
-
O que não vemos ainda
É de onde vem o mando
Onde começa e onde finda
A causa o efeito formando
-
Para se chegar aí
É preciso respirar
Chegar a um ponto de si
Onde podemos parar
-
E desse ponto olhar tudo
Com um olho neutro e profundo
Sem julgar o conteúdo
Do que criamos no mundo
-
E assim olhar caso a caso
Analisar cada passo
Do nascente ao ocaso
Vendo o tempo desde o espaço
-
Ver cada idéia e emoção
E as correntes do sentir
Onde se perde a noção
De onde queremos ir
-
Pra saber o que é que há
Dentro da nossa cabeça
O jeito dela atuar
E como age cada peça
-
Desse programa mental
Que vive de assassinar
O próprio bem pelo mal
Que finge aí não estar
-
Sem culpa de se saber
Criador do próprio mundo
Apenas se perceber
Desde o ponto mais profundo
-
Com tempo para se ver
E com o tempo escolher
O que realmente se quer
Criar, acreditar, viver.
-
Com isso tiramos a faca
Que botamos no pescoço
Com isso a raiva se aplaca
Chegamos ao fundo do poço
-
Como do fundo não passa
Daí só vamos subir
Pra voltar à consciência
Do que é pensar e sentir
De verdade, em nossa vida
Vamos galgando os degraus
Vamos marcando a subida
Os passos bons e os maus
Pela escada do não ser
Caminho para existir
Caminhar pra conhecer
O saber do ser em si.
Que tal compartilhar este texto com seus amigos? É só clicar nos botões abaixo e divulgar!

