03. Tirando o Punhal da Garganta

TIRANDO O PUNHAL DA GARGANTA

-por-do-sol-em-poa-007

Ter um punhal na garganta

É se perder de si mesmo

É caminhar torto e teso

Cego à semente que planta.

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É lançar na terra joio

E querer que cresça trigo

É desviar curso de arroio

Ser de si mesmo inimigo.

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É acusar a própria mão

De atacar quem lhe comanda

Ou dizer que é o chão

Que derruba quem nele anda.

-

O que não vemos ainda

É de onde vem o mando

Onde começa e onde finda

A causa o efeito formando

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Para se chegar aí

É preciso respirar

Chegar a um ponto de si

Onde podemos parar

-

E desse ponto olhar tudo

Com um olho neutro e profundo

Sem julgar o conteúdo

Do que criamos no mundo

-

E assim olhar caso a caso

Analisar cada passo

Do nascente ao ocaso

Vendo o tempo desde o espaço

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Ver cada idéia e emoção

E as correntes do sentir

Onde se perde a noção

De onde queremos ir

-

Pra saber o que é que há

Dentro da nossa cabeça

O jeito dela atuar

E como age cada peça

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Desse programa mental

Que vive de assassinar

O próprio bem pelo mal

Que finge aí não estar

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Sem culpa de se saber

Criador do próprio mundo

Apenas se perceber

Desde o ponto mais profundo

-

Com tempo para se ver

E com o tempo escolher

O que realmente se quer

Criar, acreditar, viver.

-

Com isso tiramos a faca

Que botamos no pescoço

Com isso a raiva se aplaca

Chegamos ao fundo do poço

-

Como do fundo não passa

Daí só vamos subir

Pra voltar à consciência

Do que é pensar e sentir

De verdade, em nossa vida

Vamos galgando os degraus

Vamos marcando a subida

Os passos bons e os maus

Pela escada do não ser

Caminho para existir

Caminhar pra conhecer

O saber do ser em si.

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