13. Minha Heroína

Minha Heroína

Tu és minha heroína

luz da minha retina,

meu tóxico, minha sina

veneno nas minhas veias

droga injetável

adrenalina

tu és o meu alcatrão,

o meu tabaco, meu ópio,

tequila e televisão

tu és meu fumo

meu pó

minha viagem sem rumo

sem ti estou sempre só

não sei, não sinto,

não sumo!

tu és a minha morfina

sedativo da minha dor

minha cura, e estricnina

tu és minha cocaína

anfetamina,

minha cannabis sativa,

tormenta e terra à vista

o meu “verde mexicano”

o meu “ouro de Acapulco”,

meu narcótico, meu Eros,

sentir, tudo é muito,

sin ti, tudo é pouco!

tu és meu cânhamo,

meu haxixe,

meu alcalóide, meu ânimo

tu és meu vício,

minha falta, meu vácuo,

meu interstício

minha maconha,

meu lapso

meu ex-ofício

tu és minha ganja,

meu alucinógeno,

meu entusiasmo

tu és meu saquê, meu MDC,

meu limite máximo,

minha expoência de ausência

sem ti

tudo é dependência

falta, saudade,

crise de abstinência

sozinho sou ganga,

boi de  canga, órfão,

órgão amorfo,

tecido morto,

resíduo inútil,

lixo, esgoto,

lodo, lama,

borra, flor de asfalto,

composto orgânico, escama,

sobras, resto,

sedimento,

fragmento,

partícula de momento,

estilhaço, tânatos,

mínima fração de tempo,

combustível em confusão,

afeto em combustão,

ócio, desaparecimento

sozinho sou cinzento,

luto, pesar,

aniquilamento

desejo de solidão,

fuga para Alcatraz,

desalento

inverno, hibernação,

quimera,

espera de primavera,

pássaro, pólen, voz do vento,

soando no firmamento,

ilusão,

morte

renascimento

(foto: Jon Sullivan)

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