16. Saudade de Minha Amada


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Image via Wikipedia

Saudade de Minha Amada

Amada, nossa estória não foi vã,

não foi uma mera ilusão,

do ontem até o amanhã

tu moras em meu coração.

Lembro os teus seios de maçã,

revejo tuas coxas em vão,

tua boca, sabendo a romã,

o nosso amor em comunhão.

O teu cabelo é como a lã

do velocino de Jasão,

que me atrai como um imã

para o combate com o dragão.

Mas reconheço, minha irmã,

que é bem feroz teu guardião,

desperneado como rã

nas unhas de um gavião,

meu peito aperta mais que fã

enraizado em um portão,

tremendo de febre terçã,

riscado de raio e trovão.

Saudade roeu minhas cãs,

vista, dureza e audição,

minha sanidade não é sã,

morcego cego no clarão.

Tu foste minha deusa Iansã,

meu altar de iniciação,

partiste, minha Rosa do Irã,

fiquei só com minha canção.

Tua negação foi meu xamã,

meu ritual de salvação,

refiz meu corpo, alma, élan,

da morte fiz ressurreição.

Resisto entre o afago e o afã,

revivo entre a relva do chão,

retorno a cada manhã,

renasço a cada verão.

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