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Saudade de Minha Amada
—
Amada, nossa estória não foi vã,
não foi uma mera ilusão,
do ontem até o amanhã
tu moras em meu coração.
—
Lembro os teus seios de maçã,
revejo tuas coxas em vão,
tua boca, sabendo a romã,
o nosso amor em comunhão.
—
O teu cabelo é como a lã
do velocino de Jasão,
que me atrai como um imã
para o combate com o dragão.
—
Mas reconheço, minha irmã,
que é bem feroz teu guardião,
desperneado como rã
nas unhas de um gavião,
—
meu peito aperta mais que fã
enraizado em um portão,
tremendo de febre terçã,
riscado de raio e trovão.
—
Saudade roeu minhas cãs,
vista, dureza e audição,
minha sanidade não é sã,
morcego cego no clarão.
—
Tu foste minha deusa Iansã,
meu altar de iniciação,
partiste, minha Rosa do Irã,
fiquei só com minha canção.
—
Tua negação foi meu xamã,
meu ritual de salvação,
refiz meu corpo, alma, élan,
da morte fiz ressurreição.
—
Resisto entre o afago e o afã,
revivo entre a relva do chão,
retorno a cada manhã,
renasço a cada verão.
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