01. Meu Lar é a Via-Láctea
(Um abraço para Raul Seixas, que certamente já deve ter encontrado o moço do disco voador que não o deixou aqui, sabendo que tem tanta Estrela por aí… pois o que é pó ao pó – das estrelas – volta, enquanto a alma imortal segue seu trajeto por onde precisa ir. E outro para Lupicínio Rodrigues, que “o pensamento, que parece uma coisa à toa, mas como é que a gente voa, quando começa a pensar.”)
Quem se importa com os quintais cercados da terra?
Quem se importa com passaportes, identidades, moedas?
Quem se importa com transporte, helicópteros, aviões, bicicleta?
Quem se importa com a Queda da Bolsa de Nova Iorque?
Quem se importa com Tóquio, México ou Brasília?
Saquê, cachaça ou tequila?
Quem se importa com a guerrilha?
Quem vive à esquerda ou direita?
Quem se importa com a política, Jerusalém ou Manila?
América, Austrália ou África?
Meu Lar é a Via-Láctea!
Meus vizinhos, todos astros!
Minhas vizinhas, estrelas!
E para tocá-las ou vê-las
Basta eu abrir meus braços!
Meu coração é uma delas!
Sou viajante do espaço
E não conheço fronteiras!
Quem quiser seguir meus passos,
é abrir as asas, batê-las!
Eu já sou um ex-terráqueo,
ex-objeto identificado,
já sou verbo não conjugado!
Já falo o idioma das galáxias,
dos buracos negros, dos quarques!
Navego pela rede intergaláctica,
perpasso a matéria negra,
ressurjo como luz do vácuo,
posso ser onda ou partícula,
posso ser tudo ou nada,
sigo o movimento da vida,
sou leite derramado na estrada,
astronauta sem capacete,
sem astronave ou foguete,
vôo com minhas próprias asas!
Mas o meu ponto de parada
No momento é a Mãe Terra
Que é quem dá o Leite nesta Via
O alimento que alivia
Os Filhos desta Mãe Amada!
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One Response to “01. Meu Lar é a Via-Láctea”
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[...] a declamação do poema “Meu Lar é a Via-Láctea“, [...]
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