14. As Dunas

The Great Dune of Pyla is the largest dune in ...
Image via Wikipedia

(Além da homenagem ao Dia Nacional da Mata Atlântica, este poema também é uma homenagem a

João Cabral de Melo Neto, que cantou o  Mangue em sua poesia.)

Alguém veio perguntar

como as Dunas são criadas:

Elas são crias do Ar,

Do vento, do sol, do mar!

O mar transporta em correntes

Marinhas, nos litorais,

para além de seus corais,

areia feito semente.

Que a alta Maré deposita

nas praias, sem pretensão,

juntando, de grão em grão,

uma areia branca infinita.

E o vento, inconstante,

vai tocando, noite e dia,

essas ondas de areia,

para áreas mais distantes.

Nesses lugares mais altos,

sem a proteção de rochas,

é onde ocorre o salto:

a poeira toma forma.

Com o auxílio diminuto

da vegetação rasteira,

e de uma fauna sem vulto,

se erige uma barreira.

São colinas ou montanhas,

Cordilheira prateada,

Que separa a água salgada

Da doce água da sanga *.

Uma proteção natural

que a terra firme recebe,

de seu irmão seminal,

o Mar, que à Terra umedece.

É o que chamamos Dunas,

Uma criação coletiva

Pra tornar a Terra Una,

Uma Comunidade viva!

Em que todos têm lugar

Pra sonhar, brincar, crescer,

Sem invadir, desfazer,

A vida que está no ar.

* Pequeno riacho; escavações feitas por lençol de água doce; moringa pra carregar água.

*Lembro aos leitores que estes poemas foram inspirados pelo Anjo Micá , que pode ser encontrado no livro “Arcanjos e Arquétipos”, de Austro Queiroz, clicando no ‘link’ acima.

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