18. A Falsa Musa
A Falsa Musa
—
Meu irmão, você nem imagina
Que sua musa, a sua preferida,
Foi quem deixou sua visão cativa,
É a ilusão, essa amarga menina.
—
Ela levou a sua calma
E corroeu o seu querer,
A ladra que levou sua alma
Separou você de seu ser.
—
Ela empenou o seu pensar,
Silenciou o seu anseio,
Seu rio não escorre pro mar,
Seu centro não é mais o meio.
—
Você acredita que a ilusão
Possui identificação
Com o fundo de tudo que existe,
Mas a voz que a todos assiste
Pôs uma dúvida em seu ser,
Que alguma coisa deve haver,
Muito além da percepção.
—
É um olhar que vê às avessas,
Que olha para dentro em vez de fora,
Que enxerga aquém das aparências,
Que em si, em silêncio, demora.
—
E segue uma senda não seguida,
Para a morada do querer,
Retorno ao ponto de partida,
Início do que tinha que ser.
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