21. Alguns Poemas

Agora of Smyrna
Image via Wikipedia

Alguns poemas esparsos,

retratos de raros momentos,

inspirados por Manoel de Barros,

espelho da minha alma sertaneja (do Norte de Minas,

do Sertão descrito em Grande Sertão Veredas,

do Guimarães Rosa).

Abraço,

Gentil

Indo Adiante!


Se eu não viesse até aqui

jamais saberia

o que haveria aqui,

que é o além do aí,

o aquém do ali,

que é o algures entre o

cá e o acolá.

Pois agora eu vou pra lá!.

Um Homem em Estado de Árvore

“Revestir seres vivos é o sonho do musgo.”

Manoel de Barros

Um homem em estado de árvore

capta vibrações de estrelas

com as raízes dos pés

enrama no esterco

tateia o ruído do crescer de hastes tortas

lambendo brotos com o ouvido de pau

mede o pulso dos pássaros pelo nervo das pernas

e acolhe o gemido do vento

pela nervura das folhas

sente o chão se amolecer para deixar a água

se embeber

e purga o gosto de barriga de rã na boca

com saliva de chuva

Amar

amar é desencontrado

um sofrer por prazos

estar aberto para abraços

fechado para asco

facilitar a outra face

despecaminar pecados

Vingar-se é…

indeferir súplicas

remunerar indiferença

vegetar esquecimento

renegar sim e si

acordar sem dormir

pensar em quem não lembra

ter pregos no peito

não ganhar dinheiro

se mostrar insatisfeito

O Amor


O amor é um aparelho

de desculpabilizar

consciências.

o homem ínfimo

um homem ínfimo

possuído por ausências

ausente de pertencências

vazando pelo ralo

como água suja

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