21. Alguns Poemas

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Alguns poemas esparsos,
retratos de raros momentos,
inspirados por Manoel de Barros,
espelho da minha alma sertaneja (do Norte de Minas,
do Sertão descrito em Grande Sertão Veredas,
do Guimarães Rosa).
Abraço,
Gentil
—
Indo Adiante!
—
Se eu não viesse até aqui
jamais saberia
o que haveria aqui,
que é o além do aí,
o aquém do ali,
que é o algures entre o
cá e o acolá.
Pois agora eu vou pra lá!.
—
—
Um Homem em Estado de Árvore
—
“Revestir seres vivos é o sonho do musgo.”
Manoel de Barros
—
Um homem em estado de árvore
capta vibrações de estrelas
com as raízes dos pés
enrama no esterco
tateia o ruído do crescer de hastes tortas
lambendo brotos com o ouvido de pau
mede o pulso dos pássaros pelo nervo das pernas
e acolhe o gemido do vento
pela nervura das folhas
sente o chão se amolecer para deixar a água
se embeber
e purga o gosto de barriga de rã na boca
com saliva de chuva
—
—
Amar
—
amar é desencontrado
um sofrer por prazos
estar aberto para abraços
fechado para asco
facilitar a outra face
despecaminar pecados
—
—
Vingar-se é…
indeferir súplicas
remunerar indiferença
vegetar esquecimento
renegar sim e si
acordar sem dormir
pensar em quem não lembra
ter pregos no peito
não ganhar dinheiro
se mostrar insatisfeito
—
—
O Amor
O amor é um aparelho
de desculpabilizar
consciências.
—
—
o homem ínfimo
um homem ínfimo
possuído por ausências
ausente de pertencências
vazando pelo ralo
como água suja
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