24. NADA SEI
NADA SEI!
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Não sei o que fazer da minha vida.
Eu realmente sinto isso com toda a honestidade de sentimento que eu possa ter.
Do fundo de mim mesmo, admito e reconheço que não sei o que fazer da minha vida.
E não há desespero nisso.
O medo e o desespero passaram.
Apenas reconheço isso, sem drama e sem agonia.
Não sei o que vou fazer da minha vida.
Tudo que há diante de mim é o desconhecido.
Reconheço em mim uma criança entregue aos braços do universo.
Sinto a terra como um útero que me abriga, me sinto dentro de sua atmosfera, um bebê da natureza.
Toda a terra e todo o universo são invólucros que me envolvem.
É a única proteção possível.
Estou entregue ao mundo, ao todo, à imensidão, ao incomensurável.
E nada posso fazer, pois sei que nada sei a respeito disso tudo.
Tudo que eu imaginava saber desabou.
Passei da morte para a vida.
Da falta à plenitude.
Do medo à paz.
A autoridade de saber cedeu espaço à certeza de não saber.
Nada sei.
Por que vim.
Para onde vou (ao desconhecido, com certeza).
A prepotência de ter certezas.
Nem a certeza de não saber é certa.
Mas isso também não é certo.
Não sei o que fazer do meu trabalho.
Não sei o que fazer da minha vida.
De qualquer coisa.
O que está certo ou o que está errado.
Tento dormir e não consigo.
A cabeça está inquieta.
Os pensamentos fluem.
Tudo me desperta.
A hora é esta.
Para quê?
Só para escrever.
Deixar passar o que vem.
Só isto consigo fazer.
Para ver o que há além.
Se é rima, poesia, ou desdém.
Ou impotência ante o que é.
Mas nem isso também.
Não há prepotência nem impotência.
Só há o que há, é o que tem.
O coração está quieto.
A cabeça agora idem.
O corpo tranqüilo.
Mas a mão nervosa, tentando seguir o que a cabeça pensa.
E o silêncio é o que me resta.
Para ouvir o que precisa ser ouvido,
pois a função do silêncio é nos dar espaço para ouvir. Ouvir, escrever, passar a mensagem que nos chega neste espaço de contemplação.
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