Sobre pirataria na internet

Pirataria é um tema absolutamente controverso. Não há consenso entre ninguém sobre como isso deveria ser tratado na internet. Se formos discutir sobre como controlar a pirataria na web, aí é que não existe concordância.

Da minha parte, decidi fazer o mais simples de tudo com o que escrevo: publicar direto na internet, com acesso livre. E o que fizerem do que escrevo aqui, não é problema meu. Se ganharem dinheiro com o que produzo, não há nada que eu possa fazer. E nem vou perder meu tempo aconselhando qualquer pessoa a não fazer isso ou aquilo. Cada um que cuide da própria vida, observando as leis, mas não deixando de ser crítico.

Por outro lado, eu tomo um cuidado extremo com o que eu faço. Se há um exemplo a ser dado de cuidado com a obra alheia, eu o pratico. Fora os textos de minha autoria publicados em meus blogs, tudo que incluo ou é tradução de textos que já estão em domínio público, e neste caso a Lei de Direitos Autorais me garante a autoria dessas traduções, ou é material que já está disponível gratuitamente na internet. E quando cito texto de outrem, eu indico a fonte, pra saberem claramente que não é meu. Isto a Lei também garante e é procedimento normal em qualquer trabalho acadêmico.

No caso de vídeos e arquivos de música, simplesmente eu os insiro em meus blogs utilizando os links dados onde eles são reproduzidos. Se um dia tirarem eles do ar, eles saem do ar em meus blogs também.

No meu caso particular, há muitos anos que não baixo vídeos ou música da internet, mesmo no caso de material gratuito. E tudo que eu tinha no meu pc eu deletei, pois é um material que ocupa muito espaço e deixa o pc lento. Mas isto é mania minha. Há milhões de pessoas fazendo download de coisas o tempo todo.

Quanto à minha própria obra, também não sou completamente idiota. É claro que todos os meus livros estão registrados no EDA (Escritório de Direitos Autorais). Qualquer um que quiser comprovar, é só entrar nesta página no site da Biblioteca Nacional e digitar meu nome (Gentil Saraiva Junior), e verá que isso é verdade. Os livros registrados lá são: minha dissertação de mestrado,  dois livros de poesia (publicados neste blog), uma gramática bilíngue da língua inglesa (publicada no meu Curso de Inglês Grátis) e minha tese de doutorado, da qual já publiquei trechos no meu blog sobre Walt Whitman (a tese foi escrita em inglês).

Como podem ver, não vivo de direitos autorais. Mas gostaria, claro! Quem sabe um dia eu consiga. No momento, estou tentando viver da escrita, pois sou professor, tradutor, poeta, escritor e também blogueiro :) . Ainda não consegui publicar minhas traduções de Folhas de Relva em papel. Pode ser que eu também o consiga um dia. Mas se demorar muito, vou publicar na internet mesmo. Talvez criar uma editora eletrônica. Afinal de contas, por falta de interesse dos editores, Whitman teve que fazer isso com sua obra durante 28 anos (ou seja, pagou tudo do próprio bolso; só depois de ter fama nacional é que uma editora se interessou em colocar o nome na capa dos livros dele). Problema deles, pois Whitman se transformou no maior poeta dos Estados Unidos, sendo apontado como o centro do Cânone americano.

Assim, vou publicando imediatamente tudo que escrevo, disponibilizando de forma gratuita minhas criações textuais nas várias áreas em que atuo. Até um blog sobre futebol eu tenho agora, no qual expresso minhas opiniões futebolísticas de maneira totalmente parcial.

Bem, tendo esclarecido minha posição sobre pirataria na internet, gostaria de indicar a todos a opinião de uma pessoa que tenho em grande estima, pessoa essa que tem feito grandíssimas contribuições à música brasileira e que tem opiniões bem mais drásticas que as minhas sobre pirataria na internet. Estou falando do Maestro Júlio Medaglia. Visitem o site dele neste endereço. E se quiserem ir direto ao seu Observatório Cultural para ler seu artigo sobre pirataria, cliquem aqui.

Por último, lembro a todos que pirataria com obras de arte ou literárias não é um tema recente. O próprio Whitman foi vítima de piratas, que reproduziam suas obras e ganhavam dinheiro com ela ainda no século XIX. Isso era tão difundido nos Estados Unidos, cujos jornais pirateavam romances estrangeiros vendidos como adendos aos jornais (que foi um dos motivos na demora da criação de uma literatura local forte), que um dia, lá pelos anos 80 do século XIX, Whitman viu seus livros, nessa época já editados por uma casa editorial, serem recusados em livrarias por estas já estarem vendendo cópias piratas de suas obras! E o pior de tudo: o livreiro disse isso a ele pessoalmente! E ele não pode fazer nada. Deste modo, se tem um país que não pode reclamar de pirataria hoje é os Estados Unidos, já que eles não protegem nem seus próprios artistas. Whitman, quando passou por terríveis problemas financeiros a partir da década de 1870, depois de um ataque de paralisia, do qual levou anos para se recuperar, foi sempre ajudado pelos inúmeros amigos que granjeou durante toda sua vida, e não pelo chamado Estado.

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