T. S. Eliot
de recriação poética; trata-se de “Os Homens Ocos“, de T. S. Eliot.
Como ele também já é uma obra de domínio público
(veja o original aqui),
deixo a vocês este trabalho para apreciação.
Abraço,
Gentil
—
OS HOMENS OCOS
A penny for the Old Guy
Thomas Stearns Eliot
—
(A frase acima é dirigida a Guy Fawkes,
um soldado inglês que pretendia assassinar
o rei da Inglaterra. Na página indicada há inclusive
uma trova semelhante à trova sobre o cacto que
há neste poema.
Quem viu o filme “V for Vendetta“, ou “V de Vingança“, verá que
a história do filme é baseada em Guy Fawkes.)
—
Traduzido do Inglês por:
Gentil Saraiva Júnior
—
1
—
Somos os homens ocos
Somos os homens recheados
Reclinando juntos
Elmo repleto de palha. Ai de nós!
Nossas vozes ressecadas, quando
Sussurramos juntos
São quietas e sem sentido
Feito vento na grama seca
Ou pés de rato sobre cacos de vidro
Em nossa adega seca.
—
Figura sem forma, matiz sem cor,
Força paralisada, gesto sem movimento;
—
Aqueles que cruzaram
Com olhos diretos, ao outro reino da morte
Recordam-nos – se o fazem – não como almas
Violentas perdidas, mas só
Como os homens ocos
Os homens recheados.
—
2
—
Olhos que eu não ouso encontrar em sonhos
No reino de sonhos da morte
Estes não aparecem:
Lá, os olhos são
Luz do sol numa coluna quebrada
Lá, está uma árvore oscilando
E vozes há
No canto do vento
Mais distantes e mais solenes
Que uma estrela evanescente.
—
Não me deixe estar mais próximo
No reino de sonhos da morte
Deixe-me também usar
Tais disfarces deliberados
Pêlo de rato, pele de corvo, tábuas cruzadas
Num campo
Se comportando como o vento
Não mais próximo -
—
Não esse encontro final
No reino crepuscular
—
3
—
Esta é a terra morta
Esta é a terra cacto
Aqui as imagens de pedra
São erguidas, aqui elas recebem
A súplica da mão de um homem morto
Sob o lampejo de uma estrela evanescente.
—
É assim
No outro reino da morte
Acordando sozinhos
Na hora quando estamos
Tremendo de ternura
Lábios que beijariam
Formam preces à pedra despedaçada.
—
4
—
Os olhos não estão aqui
Não há olhos aqui
Neste vale de estrela desfalecente
Neste vale oco
Esta mandíbula quebrada de nossos reinos perdidos
—
Neste último dos locais de encontro
Tateamos juntos
E evitamos a fala
Agrupados nesta praia do rio túmido
—
Cegos, a não ser
Que os olhos reapareçam
Como a perpétua estrela
Multifoliada rosa
Do reino crepuscular da morte
A esperança apenas
De homens vazios.
—
5
—
Aqui giramos ao redor do cacto
Do cacto do cacto
Aqui giramos ao redor do cacto
Às cinco horas da manhã.
—
Entre a idéia
E a realidade
Entre o movimento
E o ato
Cai a Sombra
Pois Teu é o Reino
—
Entre a concepção
E a criação
Entre a emoção
E a resposta
Cai a Sombra
A Vida é muito longa
—
Entre o desejo
E o espasmo
Entre a potência
E a existência
Entre a essência
E a descendência
Cai a Sombra
Pois Teu é o Reino
—
Pois Teu é
A vida é
Pois Teu é o
—
É assim que o mundo finda
É assim que o mundo finda
É assim que o mundo finda
Não com um estrondo, mas um pranto.
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