Whitman e os seguidores

Ao ler o artigo sobre celebridades e sub-celebridades e as rifas que fazem para angariar seguidores no Twitter, no Blogue do Janio, me lembrei de um poema do Whitman sobre este assunto, “Quem sejas segurando agora minha mão”, do livro “Cálamo”.

Coloco um trecho dele aqui, exatamente sobre este ponto:

“Quem é que se tornaria meu seguidor?

Quem se inscreveria como candidato às minhas afeições?

O modo é suspeito, o resultado incerto, talvez des­trutivo,

Terias que desistir de tudo, só eu preveria ser teu único e exclusivo modelo,

Teu noviciado seria mesmo longo e exaustivo,

Toda a antiga teoria de tua vida e toda conformidade às vidas ao teu redor teriam de ser abandonadas,

Por isso me solta agora antes que te aborreças mais, tira tua mão de meus ombros,

Solta-me e toma teu rumo.”

***

Quase no final desse poema, Whitman explica num verso magistral o motivo de dizer a quem deseja ser seu seguidor para tomar outro rumo:

Nem me conhece melhor quem me admira e arrogantemen­te me elogia…”

***

Tradução de Gentil Saraiva Junior.

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